segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não tenho fé

Meu coração putrefacto simula sentimentos que arranham os olhos meus e me cegam
Meu corpo latente se contorce, eletrocutado por sinapses do meu juízo dissimulado, e geme
Mas há alguma coisa superior ao meu corpo, à minha mente e ao meu espírito adormecidos, cegos, exânimes
Algo de fora, estranho à minha natureza, que me incomoda, me faz mal para me faz bem
Compreende meu grito pedinte de socorro que eu não sabia que gritara, não percebia que o necessitara
O Elemento Divino penetra em mim tal água penetra na areia e acende minhas moléculas e emula em mim algo sublime e inexorável
Algo que João chamou de Verbo, mas que verbo nenhum se aplica, pode-se dizer Deus ou YHVH, como pode-se chamar de mar a água de uma cuia
E revela num instante a infinidade das coisas; a totalidade no intervalo do nada
E como que me abrisse e me expusesse, me enfraquece e me deixa pequeno
Dá-me valor, sacia-me ao esvaziar-me e simplifica a complexidade das coisas, simplicidade incompreensível
E me faz afirmar, compreender e perceber com Inteligência ininteligível
Que o fundamento de tudo é a energia, que condensava o tudo num só lugar, chamada Amor
Que se diminuiu e se doou para que as coisas pudessem existir, para que a vida pudesse viver e ser amada
Escolher amar de volta o Todo do qual fazemos parte, porque assim qui-Lo expandir a vida, dividir para multiplicar
E fez da ciência, meu método, fez da minha crença, minha ciência
Porque sou cético e vislumbro Deus
Porque minha razão elucidada revela-O
Porque meus sentidos obliterados ratificam-na
Tenho certeza do meu Pai-Irmão-Salvador
ELE É O QUE É
Pergunto-me se tenho fé
Pergunto o significado da fé
Eu acredito na clareza dos fatos sob o meu nariz confirmados
Eu farejo a essência divinal e me firmo nela
Se fé for uma aposta com a sensação do ganho certo, eu sou negligente, não a tenho.
Escolho a convicção