domingo, 31 de outubro de 2010

Coração

"Eu quero brincar de pulsar com você
Absorver efeitos, defeitos, reflexos
E transformar em suco de tudo cada sensação
Cada pensamento
Transar a emoção do imediato coração
Coração revelado, ampliados na rua quando te vejo
Fotogramas do meu coração revelados
Eu te amo rindo, apaixonado, corpo capturado
Eu te amo, eu te amo, eu te amo."

Um grito asmático de socorro

Ai meu amor se contenta
Em amar quem responde esse amor
Ai meu amor se demora
Em amar quem um dia lhe amou
Ai minha dor se esforça
Em amar quem duvida do amor
Ai minha dor não desiste, insiste
Em me arder nesse amor
Amor que tira meu ar
Me sufoca e queima
Meu coração tá em braza
Morno, tá  frio, me esquenta?
Medo da chama apagar...
Eu morrer na noite fria, densa, vazia
E restar o pó, que o vento leva pro nada.

sábado, 16 de outubro de 2010

Só você!!!

http://www.youtube.com/watch?v=cWOly-1M6wY&feature=related

Passarinha

Sou ave de rapina; urubu metido a gavião?
Não tão selvagem, vivendo à margem da cidade, roubando o que noutra vida tiraram de mim.
Eu nasci com asas grandes e tortas e garras afiadas; o meu bico é como navalha.
Sozinho, invejava os passarinhos, que voam em bando, e os olhava, distante, do alto, mal compreendendo a felicidade deles, não compreendendo a beleza que explode em cores e plumas e o canto que dava uma coisa no coração e mexia com o instinto.
O silêncio dói.
Você, em toda sua sabedoria e sensibilidade de passarinha, me viu atrás dos meus olhos, cantou para mim e não teve medo de mim.
O seu silêncio dói na alma! Como eu não sabia?
Amestrado eu fui por você, meu amor, e repousava em seus braços arranhados.
Descansando, minhas garras lhe cravaram e cortaram seus pulsos; o cheiro de sangue despertou meu desejo predador. Eu voei em busca da caça e o branco foi manchado de vermelho...
O bicho morto, deixei em seus pés, feliz por pensar agradar-lhe. -Ou feliz por agradar meu instinto?
Você ficou triste porque o esquartejei em praça pública, em meio de outros pombos  dissimulados, desnecessariamente, pois você me dava pão-de-ló no bico...
Você se deu conta que eu passarinho tento ser, mas gavião eu nasci.
Prenda-me numa gaiola, corte minhas unhas, diga-me quando voar.
Eu não suporto ouvir seu canto triste que já não há.
Não me perdôo por ter estrangulado seu coração e agora ele mal bate, fraco e descompaçado.
Quero serrar meu bico voraz, quero arrancar minhas unhas a sangue frio e furar meus olhos inúteis se lhes trouxessem de volta. Não furo os ouvidos, pois queria ouvir você, passarinha, me acordar desse pesadelo com seu canto feliz.
Queria ter a certeza que haverá um novo dia e tatuar nossa história sobre as cicatrizes que deixei em seu corpo...
Depenaria meu corpo para lhe fazer um lindo cocar e coroar-lhe rainha, soberana sobre mim. Você reina meu coração, mas este foi pequeno para conter-lhe, foi frio, escuro e áspero.
Mas o monarca é escolhido por Deus e a reforma dos átrios já começou. Tudo será reconstruído da planta, conforme seu consentimento, na cor que você escolher.
Você é a andorinha que me traz verão, o galo que tece minhas manhãs, o beija-flor em minha janela.
Não quero engaiolar você, mas queria ter a certeza que visitará minha janela de novo e de novo e te preservar no meu quarto.
Minha pequena passarinha, voe, alto, acima das nuvens e acima do sol, mas não perca o caminho de volta para minha janela... E se possível, me leva junto com você para uma estrela qualquer?
Eu te amo! Muito muito muito muito muito...